DATA: 14 de Setembro de 2010
TURMA: 3° ano, manhã
A professora estava formando a turma para ir ao refeitório tomar café quando uma jovem se aproximou e disse que queria falar com ela a respeito da irmã. Começou a reclamar que a irmã não estava aprendendo nada; não sabia ler nem escrever direito. A professora explicou que a menina não tem um bom comportamento em sala, não faz as atividades, fica o tempo todo conversando ou implicando com os colegas. Para terminar, ela pede que em casa, olhem os cadernos e ponha para fazer os exercícios, pede licença e leva a turma para o refeitório. Alguns minutos depois a jovem entra no refeitório procurando pela diretora e diz que vai pedir a transferência da irmã, porque a professora ao invés de ensinar a menina fica falando mal dela. Mas é informada pela coordenadora que a diretora não se encontra presente e que chegará mais tarde.
TURMA: 3° ano, manhã
A professora estava formando a turma para ir ao refeitório tomar café quando uma jovem se aproximou e disse que queria falar com ela a respeito da irmã. Começou a reclamar que a irmã não estava aprendendo nada; não sabia ler nem escrever direito. A professora explicou que a menina não tem um bom comportamento em sala, não faz as atividades, fica o tempo todo conversando ou implicando com os colegas. Para terminar, ela pede que em casa, olhem os cadernos e ponha para fazer os exercícios, pede licença e leva a turma para o refeitório. Alguns minutos depois a jovem entra no refeitório procurando pela diretora e diz que vai pedir a transferência da irmã, porque a professora ao invés de ensinar a menina fica falando mal dela. Mas é informada pela coordenadora que a diretora não se encontra presente e que chegará mais tarde.
Depois do café, subimos para a sala. Hoje estão presentes 14 alunos. A professora inicia as atividades. Trouxe a parlenda “Hoje é Domingo” para trabalhar com os aluno. Pergunta se conhecem a parlenda, quase todos conhecem, então ela pede para eles ajuda-la escrever, primeiro eles falam a palavra, depois as letras que precisarão para escrever.
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| Parlenda "Hoje é Domingo" |
Observo na turma uma menina inclusa, com deficiência mental que chamou minha atenção. Tem 14 anos, mas se comporta como se tivesse uns 9 ou 10 anos, muito aplicada e esta sempre pedindo para os colegas ficarem quietos para que possa prestar atenção na aula.
Chega a hora do recreio, a aula é interrompida. Durante o intervalo aproveito para perguntar sobre a aluna, a professora me conta que ela passou por três escolas, sempre freqüentou sala de aula regular e quando veio para essa escola, a professora percebeu que havia algo errado no seu comportamento. Encaminhou o fato para a direção da escola e juntas conseguiram um encaminhamento médico. Agora ela tem acompanhamento psiquiátrico e esta sendo assistida na sala de recursos. Pergunto se a família nunca percebeu que havia algo errado com a menina e ela respondeu que tanto a mãe quanto os nove filhos tem problemas mental.
Ao voltamos para a sala, a professora passa uma atividade no livro. Me explica que o exercício é para trabalhar a escrita e leitura. No primeiro exercício eles teriam que preencher uma ficha com alguns dados dos colegas:
Nome:
Data de Nascimento:
Natural de:
Nome do Pai:
Nome da Mãe:
Depois teriam que responder:
Quantos anos você tem?
Quantos anos tem o seu colega?
Você é mais novo ou mais velho?
As meninas que estão sentadas ao meu lado pedem para eu ajuda-las fazer o exercício. Expliquei que precisavam fazer e elas ficaram me olhando, mas não começavam, uma delas disse que não sabia fazer por que era muito difícil. Neste momento percebi que elas tem dificuldade tanto para ler quanto para escrever. Conhecem as letras mas não conseguem juntar parar formar palavras, por isso para que completassem os exercícios precisei falar letra por letra. E os outros que também pediram ajuda tinham a mesma dificuldade. Não foram todos, mas foi a maioria.
Enquanto faziam os exercícios, a professora foi chamando os alunos para fazer a leitura. Quando terminei as atividades com as crianças, pediu-me para que ouvisse a leitura de três crianças. Observei que das três crianças só uma soube ler, as outras haviam decorado, pois quando alternava a ordem das frases, não conseguiam ler.
A menina que a irmã esteve conversando com a professora passou o tempo todo implicando com os colegas: quebrou o lápis de um, quebrou a régua de outro, não fez a atividade do livro e nem tão pouco conseguiu copiar a parlenda que estava no quadro.

Lenilce, senti falta da atividade desenvolvida após a parlenda e não achei legal a professora ficar expondo a vida pessoal dos alunos, como que para explicar o fracasso deles. Faltou um posicionamento seu a respeito dessa situação e o diálogo com a teoria.
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