Iniciando o blog

Meu nome é Lenilce Fernandes Cataldo, sou aluna do 6° período de Pedagogia na FEBF/UERJ e nesse blog, vou registrar e relatar minha experiência no Estágio Supervisionado II, nas turmas de 3° e 5° ano de um CIEP municipalizado em Duque de Caxias.

Introdução

O Estágio Supervisionado tem como objetivo fortalecer a relação prática e teórica fundamentada no princípio metodológico de que o desenvolvimento profissional ocorre através dos conhecimentos adquiridos na vida acadêmica, profissional e pessoal. Sendo assim, o estágio torna-se o principal instrumento de conhecimento e integração do aluno entre a realidade social, econômica e do trabalho em sua área profissional.

O objetivo desse trabalho é relatar as observações e as participações ocorridas durante o Estágio Supervisionado II - séries iniciais do ensino fundamental (1° ao 5° ano) - do curso de Pedagogia / 6° período - FEBF/UERJ - da disciplina Estágio Supervisionado II, orientado pelo professor doutor Ivanildo Amaro. O estágio foi realizado em um Ciep municipalizado, localizado em Duque de Caxias - RJ.

Os dados do Relatório serão apresentado com a seguinte estrutura: Introdução, Observações e Considerações Finais. Após a Introdução, é descrita a Instituição Escolar, sua fundação, localização, contexto social do bairro onde se localiza. Em seguida, será feita a descrição do espaço escolar, bem como o espaço físico, número de salas de aula, de turmas, turnos e números de alunos atendidos pela escola, de funcionários e do corpo docente. Também será descrita a sala de aula onde foi realizado o estágio, número de alunos e formação da professora. O relatório sobre as observações feitas em sala de aula durante 18 visitas, totalizando 72 horas. As observações são realizadas com referencial teórico, uma vez que o estágio é sustentado pela união da teoria e prática, concretizando assim o estágio. Após as Observações, serão descritas as Intervenções realizadas como culminância do estágio (carga horária: 14h) e as Considerações Finais.

A Instituição

O Ciep municipalizado onde se realizou o estágio localiza-se na Vila Itamarati, um bairro residencial popular em Duque de Caxias. 

A escola foi fundada em 24 de setembro de 1993, sob o decreto de lei nº 189.19 de 12 de agosto de 1993 sob a direção de Márcia Maria no governo de Leonel de Moura Brizola. Inicialmente, funcionava em uma igreja próxima ao local atual em horário integral, pela Rede Pública Estadual com o nome de Pastor Oscar Dias. Em 1997, foi municipalizada e se mudou para o prédio atual: uma estrutura moderna projetada por Oscar Niemeyer. No local anteriormente funcionava uma olaria.

A Escola atende 562 alunos, dividos em dois turnos. A instituição recebe basicamente crianças oriundas de uma comunidade desvaforecida economicamente de onde a escola é vizinha, dentro do bairro da Vila Itamarati.

Adentrando o espaço escolar


- Estrutura física:

A escola está instalada em uma grande área cercada por grades. Após um grande portão de ferro que dá acesso a entrada, avista-se a sala de leitura, uma quadra poliesportiva coberta e um grande pátio livre. 

A instituição possui 20 salas de aula amplas, arejadas e bem iluminadas com mobília completa, dividas em dois andares. As salas de direção, secretaria, dos professores e de orientação estão localizadas no primeiro andar e são de porte médio, arejadas e bem iluminadas, com mobília básica: mesa, cadeiras e armários.

A prédio conta com 4 banheiros em cada andar e 5 banheiros no térreo, sendo um na sala de leitura. Os banheiros são comuns com vaso-descarga e lavatório.

A instituição não possui cantina, mas possui um refeitório para alimentação dos alunos. A biblioteca funciona junto com a sala de leitura.O prédio ainda conta com uma sala de estudos, 2 laboratórios de informática e uma auditório equipado com aparelhos de DVD, TV, telão e data show.

O quadro de funcionários é composto por: a diretora, 2 coordenadoras, 2 funcionárias administrativas,  o orientador pedagógico, o orientador educacional, 2 inspetoras, um porteiros, 2 cozinheiras, 2 faxineiros e 3 ajudantes gerais.

De maneira geral, a manutenção é regular. Mas o prédio necessita de pequenos reparos na fachada e interior.

- Corpo docente e discente:

A instituição oferece as seguintes modalidades de ensino: Educação Infantil, Ensino Fundamental (1° ao 6° ano) e Classe Especial (deficientes visual, intelectual e mental, e autismo). A escola conta com uma Sala de Recursos para atender alunos especiais inclusos na turma regular.

A escola atende 562 alunos, divididos em 2 turnos, sendo 15 turmas no 1° turno e 13, no 2°, com uma média de 20 alunos por turma. Esse número já engloba os alunos da Classe Especial, sendo: 2 alunos com deficiencia visual; 2 turmas de autismo - uma com 7 e a outra com 4 alunos; 9 alunos com deficiência mental; 13 alunos com deficiência intelectual; 11 alunos na sala de recursos. Educação inclusiva: 23 no 1° turno e 28 no 2°. Classe especial adaptada: 10 alunos no 2° turno (atende a várias especificidades).

O corpo docente é formado por 35 professores em efetivo exercício e 2 professores readaptados. Do grupo citado, apenas duas professoras não possuem graduação. Mais de 98% atuam na rede municipal há mais dez anos. Esse mesmo grupo possui matrícula em outra prefeitura e um professor que atua no ensino superior.

- Observações da sala de aula:

O estágio foi realizado de 10 de setembro a 29 de novembro de 2010, dividido em duas turmas: 3° e 5° anos do Ciclo Básico de Alfabetização. O estágio seria realizado duas vezes por semana, mas devido a faltas da professora da turma e feriados, o cronograma inicial não pode ser cumprido.

Na turma do 3° ano estão matriculados 20 alunos, mas a média em sala de aula era de 16 alunos presentes, com idades entre 9 a 14 anos. A professora da classe tem formação de professores, cursa Pedagogia na UERJ e está a 22 anos no magistério. Segundo ela, essa turma foi formada em abril por alunos que tinham dificuldade em acompanhar o desenvolvimento de suas turmas. Possuem muita dificuldade em leitura e são dispersos.

Na turma do 5° ano estão matriculados 18 alunos e a média de presentes era de 16 alunos, com idade entre 12 a 14 anos. A professora da classe é formação de professores e é formada em Letras com pós-graduação. Segundo ela, alguns alunos apresentam dificuldade na escrita, prejudicando assim o desenvolvimento em outras áreas curriculares. São participativos, interessados e assíduos. Apresentam bom relacionamento e demonstram envolvimento e cooperação nas atividades propostas.

1° Observação, 3° ano

DATA: 10 de Setembro 2010
TURMA: 3° ano, manhã

Foi meu primeiro dia de estágio. Estava muito ansiosa e apreensiva. Cheguei quinze minutos antes da hora da entrada e fiquei observando a chegada dos alunos, eles foram chegando aos poucos ora em grupos, ora sozinhos e se aglomerando no pátio da escola à espera das professoras.
 
O sinal tocou as 7:30hs, hora da entrada, as professoras formaram suas turmas e foram para o refeitório tomar o café. As 7:50hs eles formaram novamente para subir para as salas. Ao chegarmos à sala, a professora Roseclair explicou para os alunos que eu era a nova estagiária e que ficaria um tempo com eles, em seguida me apresentei para a turma e disse-lhes que eu também era estudante e estava ali porque eu tinha muito que aprender com eles. Não ficaram surpresos com a minha presença, pois já estão acostumados com outros estagiários e apenas ficaram curiosos. É uma turma de terceiro ano com idade entre 9 e 14 anos.

Depois das apresentações, sentei-me no fundo da sala e a professora começou as atividades da aula. Primeiro escreveu no quadro as atividades que fariam neste dia: No 1° momento, aula de Ciências abordando a questão da biodiversidade e trabalhando a escrita. A professora explicou que os seres vivos se relacionam de diferentes formas com as condições ambientais e também se relacionam entre si. Explicou também que os tipos de relações existentes entre eles são alimentação, proteção, reprodução e competição. Em seguida, fizeram duas atividades.

1º atividade

Na primeira atividade havia várias figuras de animais em situações diferentes e os alunos tinham que relacionar qual relação existe. A professora precisou explicar várias vezes para que eles entendessem o exercício. Na segunda atividade eles teriam que pensar uma relação e exemplificar.

2° atividade

A relação escolhida foi a alimentação e para facilitar, a professora deu o primeiro exemplo dizendo:

- A baleia come o peixe.

Logo, um aluno gritou:

- Tia, tia, o tubarão come o peixe.

Outro aluno:

- Tia, o gato come o rato.

De repente, uma menina se levantou, foi até a mesa de uma colega e falou alguma coisa bem baixinho pra ela, no mesmo instante a colega se dirigiu a professora e falou:

- Tia, tia, olha só o que ela falou!

E repetiu na integra a fala da colega. Imediatamente a turma ferveu e percebi que a professora ficou desconcertada, pois a menina fez uma referencia à relação homem/mulher usando um termo bastante vulgar. A professora me olhou por alguns segundos, falou alguma coisa com a menina, que eu não consegui escutar por conta do barulho, pediu que as crianças ficassem em silêncio e continuou a aula. As 9:30hs, tocou o sinal do recreio e todos descem para almoçar. No refeitório a professora me convida para sentar perto dela e fala sobre o episódio, explica que os alunos são de uma comunidade próxima ao Ciep, que os pais precisam trabalhar, por isso eles ficam a maior parte do tempo sozinhos sem ter alguém para dar limites. Outros convivem com a violência doméstica causada pelo álcool ou pelas drogas. Para a professora, a escola também é responsável pela educação das crianças, mas acredita que o papel da família é fundamental.

Após 20 minutos retornamos para a sala e a professora passou outra atividade. No segundo momento um exercício de fixação sobre o folclore. Distribuiu folhas de papel oficio para as crianças e pediu que desenhassem o Curupira, o Saci e a Iara. Explicou-me que no dia anterior havia trabalhado as lendas e agora iam produzir um texto e pediu que primeiro colocassem o nome na folha. Notei que eles levantavam e pegavam uma ficha, foi ai que percebi que nessas fichas estavam escritos os nomes deles e como a maioria não consegue escrever os nomes sozinhos, precisam da ficha para copiar. Neste momento a mãe de um aluno pede para falar com a professora e ficam conversando por uns 30 minutos. Enquanto isso as crianças se levantam e ficam andando pela sala. Algumas crianças pedem para que eu as ajude desenhar, outras que eu as ajude escrever e entre elas uma menina escreveu a palavra Curupira assim: QURPIRA. A descoberta de que a escrita representa a fala leva a criança a formular uma hipótese ao mesmo tempo falsa e necessária: A hipótese silábica. Segundo Weisz (1988), o que caracteriza a hipótese silábica é a crença de que cada letra representa uma silaba – a menor unidade de emissão sonora.

Mal a professora volta para a sala é procurada por outra mãe e assim o tempo passa mais 30 minutos. As 11:30 toca o sinal da saída e não conseguem terminar a atividade. A professora pede que eles formem para descer. Eles demoram muito a descer, fazendo muita bagunça e gritando.

2° Observação, 3° ano

DATA: 14 de Setembro de 2010
TURMA: 3° ano, manhã

A professora estava formando a turma para ir ao refeitório tomar café quando uma jovem se aproximou e disse que queria falar com ela a respeito da irmã. Começou a reclamar que a irmã não estava aprendendo nada; não sabia ler nem escrever direito. A professora explicou que a menina não tem um bom comportamento em sala, não faz as atividades, fica o tempo todo conversando ou implicando com os colegas. Para terminar, ela pede que em casa, olhem os cadernos e ponha para fazer os exercícios, pede licença e leva a turma para o refeitório. Alguns minutos depois a jovem entra no refeitório procurando pela diretora e diz que vai pedir a transferência da irmã, porque a professora ao invés de ensinar a menina fica falando mal dela. Mas é informada pela coordenadora que a diretora não se encontra presente e que chegará mais tarde.

Depois do café, subimos para a sala. Hoje estão presentes 14 alunos. A professora inicia as atividades. Trouxe a parlenda “Hoje é Domingo” para trabalhar com os aluno. Pergunta se conhecem a parlenda, quase todos conhecem, então ela pede para eles ajuda-la escrever, primeiro eles falam a palavra, depois as letras que precisarão para escrever.

Parlenda "Hoje é Domingo"

Observo na turma uma menina inclusa, com deficiência mental que chamou minha atenção. Tem 14 anos, mas se comporta como se tivesse uns 9 ou 10 anos, muito aplicada e esta sempre pedindo para os colegas ficarem quietos para que possa prestar atenção na aula.
            
Chega a hora do recreio, a aula é interrompida. Durante o intervalo aproveito para perguntar sobre a aluna, a professora me conta que ela passou por três escolas, sempre freqüentou sala de aula regular e quando veio para essa escola, a professora percebeu que havia algo errado no seu comportamento. Encaminhou o fato para a direção da escola e juntas conseguiram um encaminhamento médico. Agora ela tem acompanhamento psiquiátrico e esta sendo assistida na sala de recursos. Pergunto se a família nunca percebeu que havia algo errado com a menina e ela respondeu que tanto a mãe quanto os nove filhos tem problemas mental.
             
Ao voltamos para a sala, a professora passa uma atividade no livro. Me explica que o exercício é para trabalhar a escrita e leitura. No primeiro exercício eles teriam que preencher uma ficha com alguns dados dos colegas:

Nome:
Data de Nascimento:
Natural de:
Nome do Pai:
Nome da Mãe:

Depois teriam que responder:

Quantos anos você tem?
Quantos anos tem o seu colega?
Você é mais novo ou mais velho?

As meninas que estão sentadas ao meu lado pedem para eu ajuda-las fazer o exercício. Expliquei que precisavam fazer e elas ficaram me olhando, mas não começavam, uma delas disse que não sabia fazer por que era muito difícil. Neste momento percebi que elas tem dificuldade tanto para ler quanto para escrever. Conhecem as letras mas não conseguem juntar parar formar palavras, por isso para que completassem os exercícios precisei falar letra por letra. E os outros que também pediram ajuda tinham a mesma dificuldade. Não foram todos, mas foi a maioria.
  
Enquanto faziam os exercícios, a professora foi chamando os alunos para fazer a leitura. Quando terminei as atividades com as crianças, pediu-me para que ouvisse a leitura de três crianças. Observei que das três crianças só uma soube ler, as outras haviam decorado, pois quando alternava a ordem das frases, não conseguiam ler.
             
A menina que a irmã esteve conversando com a professora passou o tempo todo implicando com os colegas: quebrou o lápis de um, quebrou a régua de outro, não fez a atividade do livro e nem tão pouco conseguiu copiar a parlenda que estava no quadro.

Preenchimento de Relatório, 21 de Setembro de 2010

Na Rede Municipal de Duque de Caxias, foi implantado ainda na década de 90 o Sistema de Ciclo de Alfabetização abrangendo os 3 primeiros anos de escolaridade obrigatória, caracterizando o preenchimento de documentos (Relatórios), inicialmente semestral e, atualmente bimestral. Durante o período de preenchimento de relatórios, as aulas são suspensas por 2 ou 3 dias no final de cada período (semestre ou bimestre), deverá ser descrito o desenvolvimento individual de cada aluno afim de contemplar as áreas sócio afetiva e cognitiva, com relato de seu desenvolvimento e, não ocorrendo este, deverá haver relato das intervenções realizadas a fim proporcionar oportunidade de crescimento.

3° Observação, 3° ano

DATA: 23 de Setembro de 2010
TURMA: 3° ano, manhã

Depois da rotina vamos para a sala. Estão presentes 12 alunos. Percebo que a professora está diferente e  parece preocupada. Inicia as atividades. O tema abordado será as estações do ano. Trabalhará a primavera e as plantas. Serão trabalhados geografia, português e matemática.

A professora conversa com a turma sobre as estações do ano explica que são quatro: primavera, verão, outono e inverno. Fala da característica de cada uma, diz que hoje começa a primavera e explica que nesta estação os dias deveriam ser quentes e as noites frescas, mas por causa das agressões ao meio ambiente os climas ficam alterados. Explica que a primavera também é conhecida como estação das flores. Neste momento a aula é interrompida, as crianças são chamadas para a recreação. Na quadra o professor de Educação Física avisa que esta acontecendo um campeonato de futsal e se não quisessem assistir ao jogo poderiam ficar brincando.

Todos os meninos optaram por jogar futebol no pátio, as meninas menores foram pular corda e elástico e as maiores brincar de queimado. Fiquei observando o comportamento delas durante a recreação. Brincaram todo tempo sozinhos, sem problemas, sem brigas. Pude perceber a felicidade das crianças nem pareciam ser as mesmas das salas de aula.

O professor avisa as crianças que esta na hora de terminar as brincadeiras, precisa recolher o material por que já vai começar o recreio.

Durante o recreio fui informada pela professora que ela sairia mais cedo para ir ao médico, pois não estava se sentindo bem. Ao retornarmos para a sala colocou a segunda atividade no quadro. A atividade de leitura e cálculo. O primeiro exercício era para completar a seguinte frase:

A primavera é a estação das ________________.

O segundo era um quadro com três colunas; a primeira coluna trazia o nome de varias flores. Na segunda coluna era para colocar quantas letras tinham as palavras e na terceira coluna o número de silabas.


LETRAS
SÍLABAS
PRIMAVERA


FLORES


SETEMBRO


ROSA


MARGARIDA


CRAVO


ORQUÍDIA


CRISANTEMO


ANTÚRIO


LÍRIO


MONSENHOR



A professora pediu que eu ficasse na sala até eles copiarem e depois nos juntaríamos a outra turma de 3° ano e eles ficariam fazendo o exercício. 

Quando a professora saiu, fiquei apreensiva, mas se comportaram bem. Acredito que estavam cansados por causa da recreação. Não pude concluir a tarefa porque dois alunos só terminaram de copiar na hora da saída.

4° Observação, 3° ano

DATA: 24 de Setembro de 2010
TURMA: 3° ano, manhã

Repete-se a rotina da entrada. Ao subirmos, a professora avisa que a aula será junto com o outro 3° ano na sala da professora Elizete. Enquanto as crianças arrumam nos lugares a professora Roseclair, com quem faço estágio, vai até a secretária para imprimir a segunda atividade da aula e pegar um objeto que servirá de apoio para a aula.

Compareceu um total de vinte e oito alunos. As crianças estão um tanto eufóricas, porque o CIEP está completando dezessete anos e estão ansiosas esperando pela festa.

A professora Roseclair inicia as atividades. A aula é de Geografia e serão abordados os temos: O planeta Terra e as estações do ano. Escreveu a seguinte atividade no quadro para as crianças copiarem.

 - O Planeta Terra e as estações do ano.
            Vivemos no Planeta Terra que pertence ao sistema solar. O Sol é uma estrela, é um astro luminoso.
            A Lua é o satélite natural da terra. Existem satélites artificiais, fabricados pelo homem.
            O Planeta Terra está em movimento constante, são os movimentos de rotação e translação que dão origem aos dias, noites e estações do ano.

- Movimento de Rotação
            É a Terra girando em torno de si mesmo. O movimento de rotação dura 24 horas ou 1 dia. Dá origem aos dias e as noites.

- Movimento de Translação
            É a Terra girando em torno do Sol. Dura 365 dias, 1 ano ou 12 meses. Dá origem às estações do ano: Primavera, Verão, Outono e Inverno.

Entre um parágrafo e outro foi explorando o tema fazendo perguntas para os alunos:

[Profª] – Vocês sabem o nome do nosso Planeta?

[Alunos] – Sabemos, é a Terra.

[Profª] – Quem sabe quais são as estações do ano?

[Alunos] – Inverno e Verão.

[Profª] – Ontem foi dia 23 de Setembro e eu falei para vocês que estava começando uma nova estação e que nesta estação, os dias costumam ser quentes e as noites são frescas e também que esta estação é conhecida como estação das flores. Alguém lembra o nome dessa estação?

Depois dessa explicação, os alunos responderam em coro: “É a primavera, tia!”.

Durante a exploração e a exposição do tema, os alunos se mostravam interessados e curiosos. A aula é interrompida as 9:40hs por causa do recreio.

As 10hs ao voltarmos para a sala de aula, a professora trouxe um objeto que chamou a atenção dos alunos. Logo, os alunos se puseram em volta da professora querendo saber o que era tal objeto. Explicou que aquele objeto representava o Sistema Solar e mostrava os movimentos da Terra em torno do Sol, por isso, tinha o nome de planetário.

Foram formados 7 grupos com quatro alunos. A professora mostrava para cada grupo como acontecia o movimento de rotação dando origem aos dias e as noites, e o movimento de translação dando origem as estações do ano.

Este dia foi bem diferente. Percebi que as crianças se mostravam interessadas na aula e, por isso, a professora nem precisou chamar a atenção deles como de costume.

A professora deixou a atividade impressa na folha de papel ofício para fazer em casa porque as aulas se encerravam mais cedo por causa da comemoração do aniversário do CIEP.
Atividade impressa
Os alunos e os funcionários ficaram no pátio para ouvir a execução do Hino Nacional. A diretora fez um breve discurso seguido do professor de Educação Física, que foi escolhido para representar os colegas. Depois todos de mãos dadas abraçaram o CIEP. Finalmente chega o momento mais esperado pelos alunos: cantar parabéns e comer o bolo.

5° Observação, 3° ano

DATA: 28 de Setembro de 2010
TURMA: 3° ano, manhã

Como de costume, depois do café, eles se formam próximo a escada para subirem para as salas. Nesse momento sou avisada que a professora se atrasará por 30 minutos e por isso a turma se juntaria com o outro 3° ano na mesma sala que ficou da outra vez porque não é permitido que a estagiária fique com a turma sem a professora.

A professora arrumou as mesas formando um semi-circulo de modo que pudessem copiar do quadro sem atrapalhar um ao outro. Estavam presentes um total de 30 alunos. As 8:10hs começou as atividades. Hoje a aula é de matemática e será trabalhado a multiplicação. Nesse momento a mãe de um aluno pede para conversar com a professora, demorou quase uns 10 minutos atrapalhando a aula.

A professora escreve no quadro a seguinte atividade:

- Observe o exemplo e complete.
O dobro de 1 – 1x2 ou 1+1 = 2
O dobro de 2 – 2x2 ou 2+2 =
O dobro de 3 – 3x2 ou 2+2+2 =
O dobro de 4 – 4x2 ou 2+2+2+2 =
O dobro de 5 – 5x2 ou 2+2+2+2+2 =
O dobro de 6 – 6x2 ou 2+2+2+2+2+2 =
O dobro de 7 – 7x2 ou 2+2+2+2+2+2+2 =
O dobro de 8 – 8x2 ou 2+2+2+2+2+2+2+2 =
O dobro de 9 – 9x2 ou 2+2+2+2+2+2+2+2+2 =
O dobro de 10 – 10x2 ou 2+2+2+2+2+2+2+2+2+2 =

Enquanto a professora passava o exercício no quadro, a professora Roseclair chegou, pediu desculpas pelo atraso e disse que permaneceria na sala e continuaria a atividade.

Ao perceber que alguns alunos já tinham copiado o exercício, a professora pede para que os que ainda estão copiando para que todos prestem atenção, pois vai explicar como faz.

Explica que o dobro significa duas vezes. Apanha um pote com lápis no armário, pega quatro lápis e fica com dois em cada mão. Então pergunta para os alunos:

- Se tenho dois lápis em cada mão, tenho duas vezes dois. Se eu juntar (aproxima as mãos e pergunta) com quanto fico?

Um aluno se levanta, aproxima-se dela, conta e depois responde:

- Tem quatro lápis.

Então, ela coloca novamente dois lápis em cada mão e pergunta mostrando para os alunos:

- Tenho dois lápis na mão direita e mais dois na mão esquerda. Quantos lápis eu tenho?
- Tem quatro! (Responde a turma em coro).

Logo, a professora fala com os alunos, respondendo a segunda sentença: O dobro de 2 é igual 2 x 2 = 4 ou 2 + 2 = 4.

Assim que acabaram de copiar, dois alunos que estavam sentados ao meu lado pediram que eu os ajudasse com as contas.

Comecei colocando os dedos para que eles pudessem contar a partir de seis foi preciso da ajuda de outros colegas e assim a turma ficou bastante envolvida com a atividade. Logo, alguns perceberam que não precisavam esperar pela minha ajuda e nem das professoras, que podiam se juntar para contar os dedos um dos outros. As 9:40hs a aula é interrompida; é hora do recreio.

Durante o recreio comento com a professora que geralmente as crianças reclamam da Matemática e não gostam de fazer contas, mas eles estavam gostando e se saindo bem. Ela me disse que é porque os pais falam que eles tem que aprender Matemática, para saber fazer contas, receber e dar troco quando for vender balas e doces na rua.

Às 10 horas termina o recreio, as crianças sobem e vão terminar as contas. Aproxima-se minha mesa a aula inclusa e pede que eu a ajude. Ela tinha feito o exercício até o n° 7 e como os números foram aumentando, precisava que eu colocasse os dedos para ela contar.

Ao terminarem o exercício, os alunos levaram o caderno para a professora ver e dar o visto. Enquanto aguardavam a correção, pediram para brincar. Alguns alunos sentaram no fundo da sala para jogar dominó, outros; com brinquedos guardados em uma caixa. De repente, uma das alunas pediu para brincar de montar palavras com um alfabetário usado pela professora de letramento do projeto “Mais Educação”. Esse alfabetário tem as letras repetidas e grande quantidade e permite que vários alunos brinquem ao mesmo tempo.

A brincadeira fluiu tanto que de repente todas as crianças estavam participando e ai a professora aproveitando a brincadeira pediu que eles montassem um alfabeto de alimentos como tarefa de casa.

6° Observação, 3° ano

DATA: 30 de setembro de 2010
TURMA: 3° ano, manhã

Às 7:30hs bate o sinal e após a rotina, os alunos formam para subir. Estão presentes 13 alunos. Hoje a professora continua trabalhando a multiplicação. Ela me explica que a intenção é montar a tabuada de multiplicar. A professora escreve no quadro a atividade:

Observe o exemplo e complete:
O triplo de 1 – 1 x 3 =   ou 1+1+1 =
O triplo de 2 – 2 x 3 =   ou 3 +3 =
O triplo de 3 – 3 x 3 =   ou 3 + 3 + 3 =
O triplo de 4 – 4 x 3 =   ou 3 + 3 + 3 + 3 =
O triplo de 5 – 5 x 3 =   ou 3 + 3 + 3 + 3 + 3 =
O triplo de 6 – 6 x 3 =   ou 3 + 3 + 3 + 3 + 3 + 3 =
O triplo de 7 – 7 x 3 =   ou 3 + 3 + 3 + 3 + 3 + 3 + 3 =
O triplo de 8 – 8 x 3 =   ou 3 + 3 + 3 + 3 + 3 + 3 + 3 + 3 =
O triplo de 9 – 9 x 3 =   ou 3 + 3 + 3 + 3 + 3 + 3 + 3 + 3 + 3 =
O triplo de 10 – 10 x 3 =  ou 3 + 3 + 3 + 3 + 3 + 3 + 3 + 3 + 3 + 3 =

O quádruplo de 1 – 1 x 4 =  ou 1 + 1 + 1 + 1 =
O quádruplo de 2 – 2 x 4 =  ou 4 + 4 =
O quádruplo de 3 – 3 x 4 =  ou 4 + 4 + 4 =
O quádruplo de 4 – 4 x 4 =  ou 4 + 4 + 4 + 4 =
O quádruplo de 5 – 5 x 4 =  ou 4 + 4 + 4 + 4 + 4 =
O quádruplo de 6 – 6 x 4 =  ou 4 + 4 + 4 + 4 + 4 + 4 =
O quádruplo de 7 – 7 x 4 =  ou 4 + 4 + 4 + 4 + 4 + 4 + 4 =
O quádruplo de 8 – 8 x 4 =  ou 4 + 4 + 4 + 4 + 4 + 4 + 4 + 4 =
O quádruplo de 9 – 9 x 4 =  ou 4 + 4 + 4 + 4 + 4 + 4 + 4 + 4 + 4 =
O quádruplo de 10 – 10 x 4 =  ou 4 + 4 + 4 + 4 + 4 + 4 + 4 + 4 + 4 + 4 =

As crianças pediram que eu as ajudasse com os cálculos. Da mesma forma que ocorreu da outra vez, perceberam que juntos podem fazer as contas sem precisar da minha ajuda. Não demoraram a terminar o exercício, logo a professora passa mais exercícios. Agora ela muda um pouco o exercício e faz da seguinte forma:

Faça:
O quíntuplo de 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10.
O sêxtuplo de 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10.

Nesse momento bate o sinal para o recreio interrompendo a aula. Ao voltar do recreio, continuam com a atividade. Um aluno me pergunta como é para fazer o exercício. Explico que eles terão que fazer igual ao que a professora passou antes. Alguns reclamam, mas acabam fazendo e na hora de calcular, formam grupos para realizar as atividades.

Observo que quando trabalham em grupo, quem sabe mais ajuda o que não sabe. Assim, de acordo com Vigotsky, uma criança ao interagir com a outra para realização de uma atividade é capaz de gerar processos internos de desenvolvimento, uma vez que foram fomentados pela aprendizagem.

Ao terminarem as atividades, os alunos levam o caderno para a professora corrigir e ficam brincando no fundo da sala até a hora da saída.

Conselho de Classe, 1 de Outubro de 2010

Reunião bimestral para tratar de assuntos referentes ao rendimento dos alunos (avanços, dificuldades) e intervenções a serem realizadas. Além de tratar também de freqüência e questão relacional. E de assuntos referentes ao calendário escolar.

7° Observação, 3° ano

DATA: 7 de Outubro de 2010
TURMA: 3° ano, manhã 

Hoje estão presentes 12 alunos. A professora vai trabalhar um texto do livro de Português. Fará a leitura compartilhada do texto “A História da Bicicleta”. Antes de começar a ler, explora o tema perguntando: “Como se escreve bicicleta?”.

Um aluno soletra: - B I S I C L E T A

Uma outra aluna soletra: - B I C I C L E T A

Começa a história falando que a bicicleta foi inventada em 1817 e não tinha pedais ,e só em 1860 que surgiram os pedais. Então ela pergunta para a turma:

-Quanto tempo levou para chegar os pedais?

Ela arma a conta e faz o cálculo junto com eles.

 1860
-1817
0043 anos

Agora pergunta se a bicicleta é um meio de transporte; respondem que sim. Fala para eles que além de transporte, serve para praticar exercícios físicos e não polui o ambiente. Em seguida, monta o texto com as crianças.

A bicicleta
 

A bicicleta surgiu em 1817, mas não tinha pedal.
Em 1840, 43 anos depois, foi criado o pedal, mas sem corrente.
Somente em 1890 foi criada a corrente. E a cada ano a bicicleta foi modernizada.
A bicicleta é um meio de transporte barato, não poluente, econômico, divertido e esportivo.


Veja e compare:

BICICLETA
CARRO POPULAR
R$ 280,00
R$ 29,990,00
Não usa combustível
R$ 2,50 – litro de gasolina


 As partes da bicicleta:

1 – espelho retrovisor                                7 – pedais
2 – freio                                                     8 – corrente
3 – quadro                                                 9 – guidão
4 – refletor                                               10 – campainha
5 – catraca                                                11 – coroa
6 – roda 

Linha do Tempo da Bicicleta
  A seguir explica o que é linha do tempo. Fala que é a forma simplificada de mostrar fatos marcantes a respeito de algum assunto e é possível fazer linha do tempo sobre qualquer assunto. Chama a atenção para o asterisco explicando:

- Onde tiver asterisco aconteceu um fato importante.

Nesse momento toca o sinal, esta na hora do recreio. Na volta, a professora pega um livro que recebeu para trabalhar com as crianças. É um livro que ensina desenhar faces. Ela me disse que dois dias antes fizeram essa mesma atividade, foi bem interessante e as crianças gostaram muito.

A professora pede que agora peguem o caderno de desenho, vai ao quadro e escreve a seguinte atividade:

Atenção!
Se você consegue desenhar estas coisas →.UDO∆eee, você consegue desenhar qualquer tipo de face.
   
   
Atividade posta no quadro pela professora
As crianças ficam animadas e me contam que a professora deu esse trabalho no outro dia e foi muito legal. A professora me fala da importância da arte para as crianças, ajuda no desenvolvimento, conhecer a si mesmo e na valorização da auto estima. Segundo Vigotsky, isso ocorre quando tomam consciência de que desenvolveram certas habilidades quando descobrem que aprenderam a fazer coisas que não podiam fazer antes. O que faz lembrar da noção de zona de desenvolvimento proximal. A professora chama um aluno para fazer o desenho no quadro com a ajuda ela. Depois ela desenha uma boneca. Bate o sinal, termina a aula.

8° Observação, 3° ano

DATA: 8 de Outubro de 2010
TURMA: 3°ano, manhã

Depois da rotina, os alunos se dirigem para a sala. Estão presentes 11 alunos. Hoje é um dia especial, estão comemorando o Dia das Crianças e por isso, as crianças estão bastante agitadas esperando pela comemoração.

Às 8hs, o professor de Educação Física manda chamar as crianças para a recreação. As brincadeiras acontecem na quadra com gincanas, cabo de guerra e corrida. Os alunos que não participam das competições promovidas pelo professor podem optar por outras brincadeiras. Um grupo de meninos pede para o professor uma bola para que eles possam jogar futebol; as meninas menores pedem uma corda para pular e as maiores pedem uma bola para jogar queimado e outras mais agitadas brincam de pique correndo de um lado para o outro.

Na hora do recreio os alunos são convidados a fazer uma fila para receberem o lanche. Serão distribuídos refrigerantes e cachorros-quente.

Enquanto os alunos estavam na recreação, as professoras ficaram arrumando as salas para a festinha deles.   Ao retornarem, são recebidas pela professora com bolos e refrigerantes. Continuam brincando na sala até a hora da saída.

9° Observação, 3° ano

DATA: 19 de Outubro de 2010
TURMA: 3° ano, manhã

Depois da rotina, os alunos formam e sobem para a sala. Estão presentes 14 alunos. Hoje será uma atividade de leitura e escrita. A professora vai trabalhar uma poesia.
             
A professora pede que eu distribua para as crianças as poesias mimeografadas: “Ana e o Pernilongo” e “Convite”, começa escrever a poesia no quadro, mas é interrompida, a coordenadora veio buscar as crianças para fazer o teste de acuidade visual. Pergunto a professora do que se trata e ela me explica que se trata de um teste oftálmico para saber se algum aluno esta com dificuldade na visão.

A realização do teste foi demorado, porque as crianças ficam bastante agitadas quando fazem alguma coisa diferente da rotina escolar. O exame termina uns 10 minutos antes do recreio e a professora prefere ir descendo devagar para esperar a hora do recreio.

Na volta para a sala, depois do recreio, a professora retoma a atividade. Escreve a poesia ‘Ana e o Pernilongo’ no quadro lendo em voz alta com os alunos e quando eles têm dificuldades em algumas palavras pede que soletrem junto com ela. Segue explicando que na poesia se trabalha com rimas, depois lê a primeira e segunda linha e pede para uma aluna que indique as palavras que fazem rima, continua explicando que cada linha é um verso e o conjunto de versos forma uma estrofe e que nesse caso forma uma quadra porque são versos de quatro estrofes. Depois das explicações passa o seguinte exercício:

1) Circule o titulo da poesia.

2) Pinte o nome do autor.

3) Marque as rimas.

4) Fazer uma lista de rimas.

5) Ficha literária:
a) Tipo de texto
b) Titulo
c) Nome do autor
d) Total de versos
e) Total de estrofes

Depois de terminarem o exercício, a professora convida alguns alunos para que leiam a poesia. 


Bate o sinal, hora da saída, a professora cola a folha com a poesia no caderno deles para que não percam, pois vai trabalhar a outra poesia na aula seguinte.     


Poesias utilizadas na atividade:      

Ana e o Pernilongo.

Toda semana
Eu me lembro de Ana
Para mim não há semana
Sem Ana.

Havia um pernilongo
Chamado Lino
Que tocava violino
Mas era tão pequenino

O Lino
E tocava fino
O seu violino
Que nunca ouvia o Lino
Nem via o Lino
  


Convite

Poesia
É brincar com as palavras
Como se brinca
Com bola, papagaio, pião

Só que
Bola, papagaio, pião
De tanto brincar
Se gastam

As palavras não
Quanto mais se brinca
Com elas
Mas novas ficam

Como a água do rio
Que é água sempre nova

Como a cada dia
Que é sempre um novo dia

Vamos brincar de poesia?


José Paulo Paes.