1° Observação, 3° ano

DATA: 10 de Setembro 2010
TURMA: 3° ano, manhã

Foi meu primeiro dia de estágio. Estava muito ansiosa e apreensiva. Cheguei quinze minutos antes da hora da entrada e fiquei observando a chegada dos alunos, eles foram chegando aos poucos ora em grupos, ora sozinhos e se aglomerando no pátio da escola à espera das professoras.
 
O sinal tocou as 7:30hs, hora da entrada, as professoras formaram suas turmas e foram para o refeitório tomar o café. As 7:50hs eles formaram novamente para subir para as salas. Ao chegarmos à sala, a professora Roseclair explicou para os alunos que eu era a nova estagiária e que ficaria um tempo com eles, em seguida me apresentei para a turma e disse-lhes que eu também era estudante e estava ali porque eu tinha muito que aprender com eles. Não ficaram surpresos com a minha presença, pois já estão acostumados com outros estagiários e apenas ficaram curiosos. É uma turma de terceiro ano com idade entre 9 e 14 anos.

Depois das apresentações, sentei-me no fundo da sala e a professora começou as atividades da aula. Primeiro escreveu no quadro as atividades que fariam neste dia: No 1° momento, aula de Ciências abordando a questão da biodiversidade e trabalhando a escrita. A professora explicou que os seres vivos se relacionam de diferentes formas com as condições ambientais e também se relacionam entre si. Explicou também que os tipos de relações existentes entre eles são alimentação, proteção, reprodução e competição. Em seguida, fizeram duas atividades.

1º atividade

Na primeira atividade havia várias figuras de animais em situações diferentes e os alunos tinham que relacionar qual relação existe. A professora precisou explicar várias vezes para que eles entendessem o exercício. Na segunda atividade eles teriam que pensar uma relação e exemplificar.

2° atividade

A relação escolhida foi a alimentação e para facilitar, a professora deu o primeiro exemplo dizendo:

- A baleia come o peixe.

Logo, um aluno gritou:

- Tia, tia, o tubarão come o peixe.

Outro aluno:

- Tia, o gato come o rato.

De repente, uma menina se levantou, foi até a mesa de uma colega e falou alguma coisa bem baixinho pra ela, no mesmo instante a colega se dirigiu a professora e falou:

- Tia, tia, olha só o que ela falou!

E repetiu na integra a fala da colega. Imediatamente a turma ferveu e percebi que a professora ficou desconcertada, pois a menina fez uma referencia à relação homem/mulher usando um termo bastante vulgar. A professora me olhou por alguns segundos, falou alguma coisa com a menina, que eu não consegui escutar por conta do barulho, pediu que as crianças ficassem em silêncio e continuou a aula. As 9:30hs, tocou o sinal do recreio e todos descem para almoçar. No refeitório a professora me convida para sentar perto dela e fala sobre o episódio, explica que os alunos são de uma comunidade próxima ao Ciep, que os pais precisam trabalhar, por isso eles ficam a maior parte do tempo sozinhos sem ter alguém para dar limites. Outros convivem com a violência doméstica causada pelo álcool ou pelas drogas. Para a professora, a escola também é responsável pela educação das crianças, mas acredita que o papel da família é fundamental.

Após 20 minutos retornamos para a sala e a professora passou outra atividade. No segundo momento um exercício de fixação sobre o folclore. Distribuiu folhas de papel oficio para as crianças e pediu que desenhassem o Curupira, o Saci e a Iara. Explicou-me que no dia anterior havia trabalhado as lendas e agora iam produzir um texto e pediu que primeiro colocassem o nome na folha. Notei que eles levantavam e pegavam uma ficha, foi ai que percebi que nessas fichas estavam escritos os nomes deles e como a maioria não consegue escrever os nomes sozinhos, precisam da ficha para copiar. Neste momento a mãe de um aluno pede para falar com a professora e ficam conversando por uns 30 minutos. Enquanto isso as crianças se levantam e ficam andando pela sala. Algumas crianças pedem para que eu as ajude desenhar, outras que eu as ajude escrever e entre elas uma menina escreveu a palavra Curupira assim: QURPIRA. A descoberta de que a escrita representa a fala leva a criança a formular uma hipótese ao mesmo tempo falsa e necessária: A hipótese silábica. Segundo Weisz (1988), o que caracteriza a hipótese silábica é a crença de que cada letra representa uma silaba – a menor unidade de emissão sonora.

Mal a professora volta para a sala é procurada por outra mãe e assim o tempo passa mais 30 minutos. As 11:30 toca o sinal da saída e não conseguem terminar a atividade. A professora pede que eles formem para descer. Eles demoram muito a descer, fazendo muita bagunça e gritando.

Um comentário:

  1. É muito bom, quando o estagiário consegue fazer essas obsevação e analisá-la baseada num referencial teórico, que a ajude a interpretar as situações obsevadas.

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